Quinta, 11 Outubro 2018 07:59

Pik Botha, chanceler sul-africano do período do apartheid, morre aos 86 anos

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Ex-ministro foi face internacional do regime segregacionista por 17 anos e também atuou no governo de Nelson Mandela. Ele morreu enquanto dormia, nesta quinta (11). Em foto de janeiro de 1989, o então ministro das Relações Exteriores da África do Sul, Pik Botha, discursa na Conferência Internacional sobre Armas Químicas na Unesco, em Paris PIERRE VERDY / AFP O ex-ministro das Relações Exteriores sul-africano durante o apartheid, Roelof "Pik" Botha, que mais tarde atuou no governo do presidente Nelson Mandela, morreu aos 86 anos em Pretória, informou a imprensa local. Seu filho Piet Botha confirmou a notícia. Segundo ele, o pai morreu na noite desta quinta-feira (11), enquanto dormia.
Botha foi a face internacional do regime segregacionista por 17 anos, entre 1977 e até a chegada da democracia, em 1994. Mais tarde, ele integrou o governo sindical nacional do primeiro presidente negro sul-africano democraticamente eleito, Mandela, e ficou encarregado da pasta de Minas e Energia por dois anos. Em 1996, sua carreira política terminou quando o Partido Nacional (NP), que promoveu o apartheid, deixou o governo. Quatro anos depois, Botha se juntou ao Congresso Nacional Africano (ANC) de Mandela, uma formação que ele considerou durante anos como inimiga. O ex-ministro havia incentivado o regime do apartheid a libertar Mandela, o chefe histórico do ANC, em 1990. Em 1986, ele foi duramente criticado pelo presidente Pieter Willem Botha (sem parentesco) por ter declarado que a África do Sul poderia um dia ser governada por um homem negro. Em foto de outubro de 1997, o ministro das Relações Exteriores da África do Sul, Pik Botha (à dir.) cumprimenta o arcebispo Desmond Tutu em Joanesburgo. ODD ANDERSEN / AFP Botha continuou sendo um personagem controverso. Em 1990, surgiram suspeitas de que ele tinha ligações diretas com os esquadrões da morte encarregados de matar os militantes anti-apartheid. Ele também foi acusado de desestabilizar países vizinhos, como Angola, Namíbia, Moçambique, ajudando os movimentos rebeldes que lutaram contra os regimes criados após a independência desses países. O presidente sul-africano e líder do ANC, Cyril Ramaphosa, saudou nesta sexta (12) o apoio de Botha à transição da África do Sul para a democracia. O último presidente do apartheid, Frederik W. de Klerk, também prestou homenagem a um homem que "defendeu a África do Sul contra o isolamento internacional".
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